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Palácio de São Bento (Assembleia da República)

Por Carlos Cardoso

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22.02.11

Também designado por Palácio das Cortes, o antigo Convento de São Bento, à Lapa, alberga a Assembleia da República. O complexo, começado a construir no século XVI, foi concluído já no século XX. Trata-se de uma arquitectura maneirista e barroca, cujas origens remontam a 1598, data da fundação e início da construção de um convento da Ordem de São Bento.


Em 1757, teve lugar a instalação do arquivo nacional que se encontrava na Torre do Tombo, no Castelo de São Jorge, até ao terramoto de 1755. Já no século XIX (1834), por decreto de D. Pedro IV, as Cortes (Câmaras dos Pares e dos Deputados) passaram a funcionar no edifício do antigo Convento de São Bento da Saúde, entretanto desocupado pela extinção das ordens religiosas.

Em 1895, um violento incêndio destruiu a Câmara dos Deputados, tendo os parlamentares sido instalados na Academia das Ciências, tendo regressado a São Bento apenas sete anos mais tarde.

Registe-se que o complexo tem planta quadrangular, de volumetria sensivelmente cúbica, com cobertura efectuada por telhados a duas e três águas. O edifício apresenta-se estruturado em quatro andares, apresentando pano de muro em cantaria, ritmado por pilastras e janelas, sendo as do último piso em sacada com balaústres, exibindo alternadamente frontões angulares e curvos.

A sul, o alçado principal organiza-se em três corpos, destacando-se em planta e alçado o corpo central, ao qual se acede por escadaria monumental, e que apresenta no piso térreo quatro estátuas sobre pedestal e cinco arcos de volta perfeita em cantaria. Num segundo nível, destaque-se uma colunata rematada por frontão triangular, ornado com baixo relevo.

A galeria, com tectos em caixotões de estuque, exibe pilastras rematadas por capitéis coríntios, a intercalar cinco janelas tripartidas com bandeira segmentar e com emolduramento superior em arquivoltas, sobrepujado por friso ornamentado e painéis. Os corpos laterais, em simetria, apresentam piso parcialmente enterrado e a acompanhar o declive do terreno, com cantaria aparelhada em almofada e pequenas janelas quadrangulares emparelhadas.

Nos dois pisos seguintes, ao mesmo nível que o piso térreo do corpo central, observam-se dois níveis de janelas de peito, todas com bandeira. Separado por cornija, o último andar apresenta janelas no alinhamento das inferiores, destacando-se as janelas dos extremos dos dois corpos laterais, sendo as do exterior com bandeira segmentar em arquivoltas, e as do interior com bandeira rectangular.

Os alçados laterais a este e oeste exibem o mesmo tipo de estruturação utilizada nos corpos laterais da fachada principal, apenas com algumas variações, como a existência de diferentes sequências ao nível da disposição dos frontões nas janelas do piso superior.

No último andar, janelas em arco de volta perfeita, ao centro. A porta principal, delimitada por colunas rematadas por frontão triangular, inscreve-se num arco em asa de cesto, conduzindo a um átrio com escadaria de honra, que conduz por meio de três lanços desdobrados ao piso da galeria.

Destacam-se, no interior, a Sala das Sessões da Câmara dos Deputados e ainda a Sala dos Passos Perdidos, a antiga Sala do Senado, o Salão Nobre e o Museu Histórico-Bibliográfico.

In "Portugal Eterno",2002 (PÚBLICO)

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