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Perlim - Uma quinta de sonhos

Por Adriano Miranda

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12.12.15 Por Sara Dias Oliveira

A pistoleira Valentina quer o ouro da mina, Olívia canta Mozart, o capitão Meia entra numa história aos quadradinhos, o Pai Natal está hospedado num castelo. O parque temático de Santa Maria da Feira está aberto até 3 de Janeiro e até lá apresenta mais de 400 espectáculos. É Perlim, meninas e meninos - e podem falar a língua dos pês se vos apetecer.


Damos a palavra a quem interessa. Rui Pedro tem 10 anos, veio de Vizela com os pais e a prima Ana Sofia, e entra em Perlim pela primeira vez. Há um mundo colorido para descobrir com cheirinho a Natal. “É muito giro e divertido, gostei muito dos espectáculos”, conta. As peripécias dos cowboys, com rap à mistura e um cão raptado, ficaram-lhe na cabeça. “Era uma vez um xerife, apareceu uma senhora e o xerife apaixonou-se. Ela dizia que havia ouro e afinal não havia. Ele era um bocado distraído, ela aproveitou-se disso, apareceu com os seus ajudantes e como não encontrou ouro ficou muito zangada”, conta num fôlego. Pancho e Valentina desentendem-se, é verdade, mas a história acaba bem. Rui conheceu mais personagens que habitam em Perlim e está quase na hora de ir embora. A prima Ana, de nove anos, é mais tímida. “Gostei dos espectáculos”. E isso basta-lhe.

Perlim está novamente num rebuliço. Os portões abrem-se na Quinta do Castelo de Santa Maria da Feira, que acolhe pela oitava vez o parque temático de Natal que tem a difícil missão de fazer sonhar. Há histórias para contar, personagens para conhecer, novos conteúdos que querem significar experiências inesquecíveis. E para não cair na repetição, que podia ser uma tentação, mudam-se cenários, guiões, peças. Os sonhos não têm idade nem hora marcada. E os miúdos e graúdos sabem disso. O reino de Perlim está aberto até 3 de Janeiro. E, sim, a linguagem dos pês continua a fazer parte do vocabulário deste reino encantado com mais de quatro hectares e plantado à sombra de um castelo verdadeiro. O uso dos pês nos meios das sílabas das palavras é opcional. Avisa-se apenas que o seu uso e abuso não têm efeitos secundários.

André Filipe tem 11 anos e é a segunda vez que está em Perlim. Foi uma surpresa que os pais lhe fizeram. E ele adorou. “Do que gostei mais? Do castelo, dos teatros, praticamente de tudo”, responde. Está na fila para ir ver o Pai Natal que, nesta quadra, escolheu um castelo à séria para morar e tratar dos seus afazeres — sabemos que, por estes dias, deverá ser uma das pessoas mais ocupadas à face da terra. A fila é comprida e André não desiste. “Não sei o que vou lá encontrar”, diz. O Castelo da Feira, o verdadeiro, é agora a residência oficial do Pai Natal. Por fora e por dentro. No exterior, está uma árvore de Natal e presentes gigantes e um grande soldadinho de chumbo à entrada, também de tamanho fora do vulgar. Lá dentro, antes de se entrar nos aposentos do Pai Natal, duendes, elfos, as personagens do reino da Lapónia, mais duas renas de carne e osso e coelhinhos brancos. Do lado esquerdo, alguém vai contando a história do senhor que vive lá dentro. Quem será? Como estará vestido? O que andará a fazer? André continua a aguardar a sua vez. Jenifer Martins, de 12 anos, também. É a primeira vez que está no reino de Perlim. Espera para ver o Pai Natal. “Já vi muita coisa, vi o minidisco, a oficina da água.” Pelo caminho, cruzou-se com o comboio que circula por Perlim entre duas estações, entre a quinta e o castelo. O minidisco de que fala é o lugar mais dançante da zona, com pista para abanar o capacete e sem limite de idades. A água, esse elemento indispensável à vida, tem lugar de destaque. Quem quiser pode perceber os constituintes físico-químicos da água subterrânea das Termas de São Jorge, balneário termal que existe mesmo e não muito longe de Perlim, e quem quiser pode acompanhar a história da Alice no País das Maravilhas e de um cientista louco com visual a condizer. Alice sofre de problemas respiratórios e o rapaz de bata branca e cabelo espetado vai tentar ajudá-la. De água percebe ele. “Deixa o profissional trabalhar”, diz à Alice.

Guilherme Sousa tem nove anos, chegou da Batalha, e visita Perlim com um adereço na cabeça. “São os cornos das renas”, descreve. O adereço foi feito numa das oficinas de Perlim que permite dar asas à criatividade e criar peças que façam sentido naquele reino de magia. Guilherme já viu o Pai Natal. “Está sentado numa cadeira e é simpático. Tem uma casa de Natal e tem lá animais, duendes, renas, coelhos e galinhas.” “Isto é fixe”, acrescenta. O amigo Nuno Costa, de nove anos, concorda. “É giro, gostei muito”.

A promoção feita na Galiza deu resultado. Há muitos espanhóis em Perlim. Pedro e os pais andaram duas horas e meia de carro até chegar ao parque temático. Valeu a pena e o pequeno Pedro não quer muita conversa, a mãe tenta que ele diga o que está a achar de Perlim, mas ele não tira os olhos das actividades que o esperam e em que pode criar uma peça ou pintar um desenho, que possivelmente levará para casa como recordações de uma tarde bem diferente num lugar que valoriza a imaginação. E onde há diversão para pais e filhos, primos e primas, madrinhas, padrinhos, afilhados, avós, irmãos. Há um mini slide com a travessia num trenó que parece um foguete espacial e há um grande slide com parede de escalada. E ainda uma pista de gelo para deslizar, ou coisa parecida, na companhia de um adulto porque, já se sabe e não há como desmentir, os bons momentos são para ser partilhados.

Ovos de ouro

Perlim tem espectáculos de grande formato espalhados por mais de quatro hectares de terreno. A música também ali anda, em vários timbres. Este ano, meninos e meninas, senhores e senhoras, há ópera cantada por quem entende de árias de Mozart e Verdi à procura do príncipe perfeito numa aventura da Olívia e do detective Horário. E eles, naturalmente, andam por ali.

Quem? Os habitantes de Perlim mostram-se e dançam com a gruta e a encosta da árvore do amor em pano de fundo. Era uma vez em perlinês ou as vezes que se quiser. Os contos do imaginário infantil ali andam, como manda a tradição. O João Pé de Feijão vive numa aldeia muito pequenina e entra numa aventura que mete ovos de ouro. Ali bem perto está um capitão nada convencional que entra no palco suspenso num fio. Nesse palco, está um funcionário dos correios que quer tratar da expedição das cartas e dos presentes de uma forma mais avançada para a época. Uma banda vai tocando músicas e entrando nas peripécias de um super-herói. E parece que vai ser preciso salvar o Natal. Há heróis de carne e osso e há também marionetas que vivem algures e nesse algures há um vilão capaz de uma maldição tão forte que todos querem comprar milhares objectos por dia. É preciso explicar que este comportamento anormal não faz bem e, por isso, é preciso chamar o super Natal para que nesse algures chamado “Gastónia” a vida regresse à normalidade. A ver vamos.

É a oitava vez que Perlim está em acção e não há espectáculos decalcados de anos anteriores. O público é exigente, não se deixa enganar e a organização não quer gorar expectativas. “Os espectáculos são inéditos, são criações originais. Uma das vantagens de trabalhar com as entidades locais é que as peças são criadas propositadamente para Perlim”, adianta Paulo Sérgio Pais, director-geral da empresa municipal Feira Viva, que organiza o evento. São mais de 400 espectáculos em 19 dias, mais de 200 pessoas a trabalhar no projecto e 350 mil euros de investimento que poderão ser totalmente suportados pelas receitas, como aconteceu no ano passado. Em 2014, o reino encantado de Perlim recebeu 80 mil visitantes e as receitas superaram os custos. “Não é um número fácil de atingir, depende muito das condições climatéricas, mas preparámos os conteúdos para lá chegar.”

Números à parte, o importante é que os visitantes vivam momentos únicos e experiências inesquecíveis. Uma alteração de fundo, e apresentada como fundamental, é a deslocação do Pai Natal para o castelo. “Era altura de o verdadeiro rei de Perlim ficar hospedado no castelo, está instalado no salão nobre”, refere Paulo Sérgio Pais. Uma vez mais, é possível ficar cara a cara com o homem simpático e de barbas brancas num mundo chamado Perlim. Ah!, e também é possível tirar fotografias com ele. Ficam já avisados.

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Como ir
Perlim fica na Quinta do Castelo de Santa Maria da Feira. Na A1 ou na A29, os condutores, quer venham do Norte ou do Sul, têm de sair na Feira.

GPS: N 40º55.315’ W 8º32.4.82’

Datas e horários
Em Dezembro, o parque temático de Natal está aberto nos dias 12, 13, 19, 20, 26, 27, 28 e 30 das 14h às 19h. Nos dias 17 e 18, abre das 14h às 18h. Nos dias 2 e 3 de Janeiro de 2016, funciona das 14h às 19h. Encerra no dia de Natal e a 1 de Janeiro. Informações e programação actualizada disponíveis em www.perlim.pt.

Preços
As crianças até aos dois anos, inclusive, não pagam entrada, mas é necessário levantar o bilhete de acesso. Crianças dos três aos 12 anos e maiores de 65 pagam cinco euros. Dos 13 aos 64 anos, as entradas custam seis euros. A pulseira free pass custa 10 euros e dá acesso a todos os dias do evento. Grupos escolares pagam cinco euros por cabeça com oferta de dois bilhetes para acompanhante por cada 15 crianças.

A bilheteira 1 fica na entrada da Quinta do Castelo e está aberta às quintas e sextas-feiras das 11h às 18h; sábados, domingos e dias 28, 29 e 30 de Dezembro das 11h às 19h. A bilheteira 2 está na entrada pelo castelo e funciona às quintas e sextas das 13h às 18h; sábados, domingos e dias 28, 29 e 30 de Dezembro entre as 13h e as 19h.

As reservas podem ser feitas pelo email reservas@perlim.pt. O telemóvel 915 220 811 está disponível todos os dias das 9h às 18h. O telefone 256 370 241 está ligado nos dias úteis das 9h às 18h.



Última actualização a 12-12-2015
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