Guialazer

Por Rita Pimenta

É com ansiedade que Miguel se prepara para ir passar as férias de Verão na casa do avô Jacinto. Tudo por causa dos "macaquinhos no sótão".


O rapaz revela assim o seu estado: "Se por um lado estava entusiasmado com a perspectiva da total ausência de regras, ansiando pelas tardes de brincadeira no jardim e a televisão por minha conta, o mau feitio do avô e os macacos preocupavam-me um bocadinho. Aliás, por várias vezes me tiraram o sono, saltando, aos gritos estridentes, do escuro do sótão."

Este receio há-de desvanecer-se após o convívio mais estreito com o avô escritor. Cenário preferencial da cumplicidade entre ambos: a biblioteca. Matéria-prima favorita para exploração: palavras.

Um livro terno que homenageia de forma poética alguém que soube transmitir a uma criança o gosto pela leitura e sempre lhe alimentou a imaginação.

"Ele nunca jogou à bola comigo, nunca me levou ao parque para andar de baloiço ou de escorrega, nunca me pôs sequer às cavalitas, mas na sua casa as palavras sempre ganharam vida. Com ele dei a volta ao mundo, andei pela selva em lianas, naveguei os sete mares. (...) Com ele aprendi a força das palavras e que é nelas que a liberdade começa." 

Sebastião Peixoto embarca na narrativa também com criatividade, desenhando com humor e imprimindo movimento e alegria às personagens. Muito simpático o bicho-de-sete-cabeças.

No final, um glossário de expressões idiomáticas ajuda o leitor a entender melhor as dúvidas do protagonista perante as conversas dos adultos. Sofia Fraga brinca, de modo feliz e competente, com expressões como "rato de biblioteca", "estar com a pulga atrás da orelha" ou "ter a barriga a dar horas".

Um livro que se lê e vê com prazer — "em três tempos".

O Avô Jacinto e os Macaquinhos no Sótão
Texto Sofia Fraga
Ilustração Sebastião Peixoto
Edição Minotauro
32 págs., 11,90€ 

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