Guialazer

Por Rita Pimenta

Uma viagem pelo interior do cérebro e pelo sistema nervoso é o que um doutorado em Neurociências pela University College de Londres, Matteo Farinella, propõe a crianças a partir dos cinco anos, mas os leitores muito mais velhos também vão gostar de ficar esclarecidos sobre o funcionamento dos neurónios, espinal medula, tálamo, hipocampo e outros elementos que fazem parte do corpo humano — “uma máquina gigantesca formada por milhões de pequenas células”


A visita apresenta-se de forma criativa: “Ramon é uma jovem célula da família dos neurónios e para decidir o que fazer quando crescer parte numa visita escolar por Cerebropólis.”

A pequena célula será acompanhada pelo mestre Camilo e começa por apanhar “o elevador da espinal medula para o tálamo, o centro do cérebro”. À medida que avançam na descoberta, vão descodificando de forma clara os diferentes processos: “A informação proveniente do exterior do corpo, como a música, ou do interior, como uma dor de estômago, é enviada pelos nervos para o cérebro sob a forma de sinais eléctricos.”

Algumas palavras são assinaladas a negro e merecem esclarecimentos mais adiante, como “nervos” e “sinais eléctricos”. Deste modo assegura-se que o leitor se vai apropriando dos conceitos que lhe permitirão avançar no conhecimento que se pretende transmitir. 

A viagem ilustrada é expressiva e divertida, com a surpresa e o espanto bem espelhados no rosto e postura de Ramon a cada novidade. O desagrado também é facilmente perceptível, como quando a célula se apercebe da “loucura” que é para o tálamo gerir as informações que recebe e as distribuir para as diferentes regiões especializadas do cérebro: área visual, auditiva, etc. “Tanta confusão! Acho que não quero trabalhar no tálamo quando crescer.”

Também o cerebelo não lhe irá agradar, já que é uma das zonas mais lotadas do cérebro. “Aqui trabalham mais de metade dos neurónios”, explica o mestre. “Um pouco cheio de mais para o meu gosto!”, diz Ramon.

Depois de conhecer o hipocampo, com o seu registo de memórias, e o córtex frontal, com ideias abstractas e a possibilidadeque nos dá de “experimentar sentimentos complexos como o amor, a empatia e o altruísmo”, Ramon há-de encontrar um rumo para o seu futuro — que nos é revelado no final do livro.

Há então que o ler e apreciar. Depois, é deixar os neurónios fazer o seu trabalho. E eles gostam. 

Bem-Vindos a Cerebropólis
Texto | Matteo Farinella  
Tradução | Alex Marques
Revisão | Eulália Pyrrait 
Ilustração | Matteo Farinella e Marie de Beaucourt 
Edição | Planeta 
48 págs., 13,98€ 

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