Guialazer

Por Rita Pimenta

Tudo começa assim: "Era uma vez um rei e o seu povo que viviam em paz. Um dia, vindo do nada, apareceu ali um estranho. Por todo o país houve uma grande agitação."


Parece que todos (os mais crescidos) conhecemos bem esta história e muito de nós desejamos dar-lhe um desfecho mais feliz do que aqueles a que temos vindo a assistir por todo o mundo.

Falamos de imigração, pois claro.

Na divulgação do livro, a editora resume assim o protagonista: "Ele não se parece com eles. Na verdade, este estranho parece ser tão diferente que as pessoas encontram grande dificuldade em falar com ele, optando pelo caminho fácil da suspeição num cenário infelizmente já familiar: guardas, políticos ignorantes, a ameaça da força militar…"

Foi preciso "o estranho" desatar a chorar, para que a empatia, aceitação e integração triunfassem.

Nem sempre as lágrimas são suficientes para que nos identifiquemos com os nossos semelhantes, por mais diferentes que nos pareçam. É por isso urgente e necessário levar às crianças todas as histórias que permitam que se transformem em adultos melhores do que muitos de nós. Mais solidários e generosos com os "estranhos" que chegam ao nosso "reino".

O autor, de nome completo Kjell Arne Sörensen Ringi (1936- 2010), informa a Bruaá, "foi um artista sueco, cujo trabalho passou pela pintura, ilustração, 'design' gráfico e escultura". Diz ainda que foi "um mestre no detalhe, com as suas características figuras mínimas, e sumptuoso no grande, com as suas magníficas e esculturais catedrais e arranha-céus que lutam contra o céu, as suas pinturas estão representadas em cerca de 30 museus internacionais, como o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, o Instituto de Arte de Chicago, a Biblioteca Nacional de Paris, o Museu Ludwig em Colónia, o Museu Olímpico de Lausanne e o Museu Staatliche em Berlim. Depois de passar longos períodos em Nova Iorque, onde teve grande sucesso com as suas pinturas, Ringi criou entre 1967 e 1974 sete álbuns ilustrados para algumas das maiores editoras norte-americanas. Livros escritos e ilustrados por ele mesmo, como "O Estranho" (seleccionado como um dos melhores livros ilustrados de 1968 pelo Junior Literary Guild), e também em associação com a escritora Adelaide Holl".

Nesta história, as preocupações como "o estranho" acabarão por desaparecer "num só sopro". Que bom seria podermos aproveitar esse sopro, soltá-lo das páginas do livro, ampliá-lo e fazer voar para longe todos os nossos medos e preconceitos.

O Estranho
Texto e ilustração | Kjell Ringi 
Tradução e edição | Bruaá Editora 
Revisão | Lord Helder Guégués 
40 págs., 13€

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