Guialazer

Por Rita Pimenta

Este livro integra a colecção Na Minha Rua, uma parceria entre a editora Zero a Oito e a RTP (em que se inclui o programa ZigZag).


No lançamento, em Lisboa, foi dito que “é uma colecção pautada por preocupações presentes na sociedade actual e pela luta pela aceitação da diferença e tolerância à diversidade” e que “pretende, com a abordagem de temas difíceis, sensibilizar o público mais novo, fazendo-o conviver com a diferença desde cedo”.

António Mota cumpriu com talento estes pressupostos, ao criar uma história protagonizada por uma menina que vive na ambiguidade de gostar da irmã, mas de também ter momentos em que preferia que ela não existisse.

Entre vários motivos, porque têm de partilhar o quarto e porque Sara tem alergia a gatos. Assim, ela, a Catarina, não pode ter um bichano. E até já tinha um nome para lhe dar: Conde.

“Eu tinha estes pensamentos quando morávamos na Avenida das Rosas, número 2236, no décimo terceiro esquerdo. Mas não os contava a ninguém. Bem, a Tala era a única que sabia tudo”, confessa a menina. Mas Tala é “apenas” uma boneca.

A vida desta família vai mudar e as irmãs serão obrigadas a separar-se temporariamente. Catarina vai ter muitas saudades da mana e até sentirá a falta de a ouvir respirar à noite, “e não me importava de a ouvir tossir”.

Uma história de emigração, separação e adaptação, contada com sensibilidade. As ilustrações oferecem um ambiente ternurento e envolvente, misturando com eficácia diferentes registos.

Nalgumas páginas, o texto é pouco legível, não só porque surge impresso sobre fundos com padrão, como tem linhas demasiado longas, com muitas palavras, obrigando a uma leitura lenta e pouco confortável.

A colecção já conta com mais dois títulos: Chovem Cães e Gatos (texto de Patrícia Muller e ilustração de Marta Carvalho) e Rua do Silêncio (texto de Margarida Fonseca Santos e ilustração de Carla Nazareth).

Quanto à pequena Catarina, habita agora o n.º1 da Rua do Castanheiro: “Todas as noites vejo se a orquídea azul da minha mãe está de boa saúde, e depois ponho na sua caminha o gato que a avó me deu. E digo: Durma bem e tenha sonhos bonitos’!” Mas antes, através de um smartphone, “visita” sempre a irmã. E nunca lhe apetece desligar.

O Gato e a Orquídea
Texto e ilustração | António Mota e Joana Quental
Edição | Zero a Oito
30 págs., 9,99€

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