Guialazer

Por Rita Pimenta

Um livro sobre a espera e a esperança. Das árvores e nossa.


Começa assim: "A árvore estava à espera. De esperanças. Naturalmente esperançosa. O que esperava ela? Que tudo corresse bem (era essa a sua esperança). O que esperava ela? O dia mais que perfeito, o dia certo, o dia tal!" Para quê? Para lançar as suas sementes ao vento. Quando as pinhas secaram, soltaram-se. Foram cem.

Seguimos o destino de todas elas e não corre nada bem. Dez acabaram numa estrada, 20 mergulharam no rio e foram comidas por peixes, dez caíram sobre uma pedra, 25 foram bicadas por pássaros (um gaio, um trinca-pinhões e um melro), cinco serviram a dois insectos apaixonados, dez levadas por um esquilo e mais dez por um menino. "Das 100 sementes que voaram, restaram apenas 10. Mas, é preciso dizê-lo, 7 morreram de sede."

Chegados a esta situação dramática, o livro permite-nos uma pausa para chorar, como se ilustra no topo desta página. "Porque, caramba, isto já começa a ser demasiado triste!"

O cenário há-de mudar. "A árvore continuava à espera, lembram-se, esperançosa de que tudo corresse bem… E não é que correu mesmo?" Algumas das sementes dadas como perdidas acabaram por germinar, deixadas algures pelo melro, alojadas na terra acumulada na fenda da rocha ou no esconderijo do gaio, deram à floresta dez novas árvores.

No final, dão-se a conhecer as sementes que inspiraram as autoras: de pinheiro, amieiro, cerejeira, choupos, tílias e faias.

Um livro apropriado num ano em que, por motivos tristes, a floresta mereceu a atenção de todos. Como se diz na contracapa "celebra a resistência das sementes e a inteligência das árvores e da natureza". Muito bom para renovar a esperança no ano que agora começa.

Cem Sementes Que Voaram
Texto | Isabel Minhós Martins 
Ilustração | Yara Kono 
Edição | Planeta Tangerina 
30 págs., 12,50€

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