Guialazer

Por Rita Pimenta

"Num certo dia perto do Natal, o Pedro, pai da Aninha, procurava um livro para ler, enquanto a menina se preparava para deitar. Ele estava tão concentrado, entre livros e bandas desenhadas, que se assustou com a pergunta da filha:
– Papá, o Pai Natal existe de verdade?
– Hã?
– O Pai Natal existe de verdade?"


Começa assim o livro e a história de muitos pais que, chegado o momento de "desmontar" a história do Pai Natal, se embaraçam e se multiplicam em explicações para não desiludir as crianças.

Neste caso, o Pedro começa por contar a história do nascimento de Jesus e de como, "quando cresceu, ensinou todos os homens a amarem-se e ajudarem-se uns aos outros". Pelo que a criança logo concluiu: "Quando ele ficou velhinho, tornou-se no Pai Natal."

O pai de Aninha não pôde evitar rir-se e pedir-lhe que tivesse paciência que ele acabaria por lhe dizer quem era afinal o Pai Natal. Antes, lembrou-lhe ainda que a noite de Natal era afinal uma festa de aniversário.

Por fim, lá começou a contar "a verdadeira história do Pai Natal". "Muitos séculos depois, numa região chamada Lapónia, viveu um lenhador chamado Nicolau. Ele era muito trabalhador, muito bondoso e, apesar de nunca ter tido filhos, sempre gostou de crianças."

Disse-lhe como era habilidoso a criar brinquedos de madeira e como, no dia de Natal, se "metia no seu trenó e ia de casa em casa distribuindo presentes e perguntando se as crianças tinham sido boazinhas, seguindo o exemplo do menino Jesus".

Até que um dia o Pai Natal não apareceu. "Os pais pediram aos filhos para ficarem do lado de fora e entraram na casa dele devagarinho… Depois de algum tempo saíram e alguns tinham os olhos vermelhos, como se tivessem chorado lá dentro."

Pergunta a menina: "O Pai Natal morreu?" Responde o Pedro: "Nenhum pai contou aos filhos. Mas o que aconteceu foi que, quando as crianças acordaram no dia seguinte, viram que havia presentes à espera delas."

O autor consegue tratar o tema com delicadeza, mas também com humor, sobretudo nas diferentes interrupções da menina. E, no final, a criança fica com a quase certeza de que afinal o Pai Natal está mesmo ali à sua frente.

"– Então, na realidade, és tu o Pai Natal, não és, pai?

– Quem sabe, filha, quem sabe…?" 

O texto está muito bem acompanhado pelas ilustrações de Rachel Caiano, que não deixando de representar os elementos característicos do Natal, consegue desenhá-los de forma original, sem os cansativos dourados cintilantes. Também são felizes as pistas que nos dá sobre a origem brasileira dos protagonistas. Gostamos bastante das guardas, com a expressão "Feliz Natal" em várias línguas.

Voltando à história, depois de mais algumas explicações dadas de modo sensível e terno, o pai da Aninha fala-lhe da importância de toda a gente se lembrar do "verdadeiro espírito de Natal", ou seja, "a vontade de ajudar as pessoas, de ver todos a sorrir, de dar presentes, mas, acima de tudo, de dar amor a todos". E é assim que deve ser. Feliz Natal.

A Verdadeira História do Pai Natal
Texto | Alexandre Lobão 
Ilustração | Rachel Caiano 
Revisão | Alice Araújo 
Edição | Livros Horizonte 
32 págs., 12,90€

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