Guialazer

Por Rita Pimenta

Olha-se para a capa e fica-se com a sensação de estar em presença daqueles retratos em que os olhos se movem em função do ângulo em que os observamos. Mas não. No entanto, não se consegue fugir ao olhar penetrante com que Benjamin Lacombe desenha Frida Kahlo.


Diz o ilustrador: "Recordo-me da primeira vez que deparei com o olhar de Frida. Tinha doze ou treze anos, e detive-me naquele rosto de olhar hirsuto que me media rodeado de macacos. (...). Para dizer a verdade, ainda que tivesse ficado intrigado, não foi nesse dia que ele me seduziu."

Foi quando estudou História de Arte que o fascínio pela artista surgiu. Ainda bem. Ou não teríamos aqui este belo livro.

"Frida" é uma biografia ilustrada e poética que começa com o acidente grave que a artista sofreu quando tinha 18 anos e que lhe valeu dores crónicas pela vida fora. "Ainda há pouco, (…) eu era uma menina que caminhava num mundo de cores (…). Era tudo misterioso (…). Agora, moro num planeta doloroso, transparente, como que de gelo, mas que nada oculta." Ainda assim, a jovem renasce depois do choque. "Cheia de esperança. (…) Abro o meu coração a esta nova vida."

As imagens do livro são recriações e reinterpretações da sua obra. Começou por pintar para ocupar o tempo, mas depois usou a pintura para expressar as suas dores. Físicas e outras. Frida tinha uma grande afeição pelo México e o livro começa e finda na Casa Azul, onde nasceu e morreu.

Para os que ficam receosos de mostrar livros "perturbadores" às crianças, saibam que elas precisam de ter medo, desde que no final se sintam seguras e tenham quem as abrace. Para universos cor-de-rosa, há Disney que chegue.

Frida
Texto | 
Sébastien Perez
Tradução | Ana M. Noronha
Ilustração | Benjamin Lacombe
Edição | Kalandraka
76 págs., 26€

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