Guialazer

Por Rita Pimenta

O segundo volume de "O Estranhão" já anda por aí. Para quem não conhece Fred, aqui fica uma explicação resumida, que nunca será suficientemente esclarecedora (é mesmo preciso ler os livros): um rapaz de 11 anos, com um QI elevado, um sentido de humor inesperado e grande clarividência, vai dando a conhecer o seu quotidiano.


Presentes estão a sátira e o humor, perceptíveis em vários níveis de leitura. Exemplificando com a frustrada candidatura do rapaz a "cartoonista" de um jornal: "Caro Frederico, Adoramos os teus desenhos, mas não podemos publicar material de menores. Cá te esperamos quando fizeres dezoito anos."

Eis a resolução do protagonista: "Arranjei uma nova data de nascimento e fiquei com 35 anos, um curso de 'design' gráfico, um currículo bestial. Ou seja, deixei de ser um rapaz que escrevia e desenhava como se fosse um adulto, para ser um adulto que escrevia e desenhava como se fosse um rapaz. Era o que eles queriam, pareceu-me." E pareceu-lhe bem. O mundo anda tão "estranhão" como Fred.

O rapaz apaixona-se por Inês e, na praia, toma um banho de "realidade impiedosa". Aparece "um belo rapaz, a pingar água, com uma prancha de surf". A verdade cruel: "Estava com ela. No meu lugar, portanto." Ficou Fred dramaticamente condenado a "cem anos de solidão". Muito bom. 

O Estranhão 2 - Acordem-me quando isto Acabar
Texto | Álvaro Magalhães
Ilustração | Carlos J. Campos
Edição | Porto Editora
192 págs.
15,50€

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