Guialazer

Por Rita Pimenta

Logo na capa somos avisados do que vamos encontrar dentro do livro: destravalínguas e adivinhas para suar as estopinhas.


O primeiro capítulo chama-se "Quem diz sela diz cavalo" e o segundo, "Venho das ondas do mar". O tom bem-humorado e o livre sentido crítico percorrem todos os textos. Características sempre presentes nas obras do poeta e ficcionista Vergílio Alberto Vieira. Ora escutem: "Por dá cá aquela palha foi um burro a tribunal/ por ter dito: 'Só é burro quem trabalha em Portugal!'// À barra da Boa Hora/ foi-lhe então lida a sentença: 'Terá pensão vitalícia. /Trabalhar é uma doença.'"

No final de cada poema da segunda parte, há um curta adivinha com ele relacionada, mas as soluções só podem ser encontradas no final. Há que ser honesto e "suar as estopinhas" para desvendar os breves enigmas, uns mais fáceis que outros. Um exemplo: "Por amor à natureza, /Descobre sem perguntar/ Em que terra põe a mesa/ O pinguim para jantar?" Outro: "Pensa pois que há a fazer/ Em caso de malcriadez,/ Para educar, a valer,/ Quem não espera a sua vez?"

Os textos surgem enriquecidos pelo talento de Maria João Lopes, que, através de colagens, conseguiu entrar em pleno no espírito das palavras. Uma coisa que eu cá sei é que esta dupla funcionou muito bem.

Sete Coisas Que Eu cá Sei
Texto | Vergílio Alberto Vieira
Ilustração | Maria João Lopes
Edição | Planeta Júnior
54 págs.
15,50€

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