Guialazer

Por Rita Pimenta

“Os pintores roubam a beleza do mundo – embora eles digam que não, que lhes vem tudo da cabeça. Mas a verdade também é que o mundo não chega a perder essa beleza. Parece é que os pintores a multiplicam nos seus quadros. Talvez por isso, são os únicos ladrões que ninguém se importa que andem por aí, em liberdade.”


É este o registo de "Tudo É sempre Outra Coisa". Um olhar sobre o mundo traduzido em pedaços de texto que ora desconcertam ora comovem o leitor. Como se explica na contracapa, “a leitura deste livro pode começar por qualquer página. Mas, se se começar pelo princípio, descobre-se que há aqui alguém que gosta de ver o que há do outro lado (…) Porque nem tudo é só o que parece ser”. 

As palavras de João Pedro Mésseder voltam a ser acompanhadas (e ampliadas) por Rachel Caiano, que já no título "Pequeno Livro das Coisas" mostrara talento em verter para imagens a sensibilidade poética do texto. Mais frases soltas: “A sede é uma vontade de rio na língua e na garganta”, “a piscina é um tanque de gritos alegres, molhados e azuis”, “o sorriso amarelo é um sorriso contrafeito e embaraçado. Não assim o da banana, esse belo sorriso amarelo que chega do Equador, de Guadalupe, do Brasil, da Madeira, como um presente doce e bem embrulhado”. Apetece ter mais livros assim, a espreitar o avesso do mundo. 

 

Tudo É sempre Outra Coisa

Texto |  João Pedro Mésseder
Ilustração | Rachel Caiano
Tradução e edição | Edição Caminho
48 págs.
10,90€

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