Guialazer

Por Rita Pimenta

Ela vira sempre à esquerda; ele, à direita. São vizinhos, mas não sabem. Solitários, isso sabem. Hão-de acabar por se encontrar e perder-se de novo.


O final (feliz ou infeliz) fica para o leitor decidir. Se for uma criança, certamente escolherá o desfecho positivo. Já a decisão do adulto dependerá do seu próprio desencontro ou encontro com a felicidade.
 
Este livro de Jimmy Liao é belíssimo: pelo tom da narração, pela beleza das ilustrações, pelas metáforas visuais, pelas descrições poéticas do estado do tempo, pela calma que transmite. Por tudo.
 
Começa assim esta história sobre a solidão humana e urbana: "Naquele ano, o Inverno foi especialmente frio. Uma chuva escura e opressiva aprisionava a cidade. No céu cinzento, há muito que o sol nem se atrevia a espreitar, provocando uma insólita melancolia, de tal forma que, ao caminhar, as pessoas eram assaltadas por uma súbita vontade de chorar." Depois, vai-nos dando conta das vidas de ambos em paralelo, o que, graficamente, remete para o cinema.
 
Nas imagens de multidão, pensa-se em "Onde está o Wally?" E logo se inicia a busca do casal que se apaixonou ao primeiro encontro. Foi assim que o autor lhes deu essa oportunidade, desenhando o Cupido e escrevendo: "Porém, há tantas coincidências na vida, que duas linhas paralelas podem um dia cruzar-se." Pelo menos esse foi um dia feliz. 
 
Desencontros
Texto e ilustração | Jimmy Liao
Tradução | Ana M. Noronha e Domenica Ignomeriello
Edição | Edição Kalandraka
132 págs. 
16€

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