Guialazer

Por Sílvia Pereira

Ao jantar, ao passear, ao dobrar a esquina. Em modo de desgarrada ou em jeito de serenata. Até num brinde pode haver fado.


De 1/7 a 30/9
Igreja de Nossa Senhora da Saúde, Martim Moniz. Estamos no ponto de encontro para o início do passeio por um dos bairros mais tradicionais e pitorescos de Lisboa. Sente-se por aqui a confluência de culturas da cidade cosmopolita. Mas o que mais interessa a este passeio é a ligação umbilical que a Mouraria tem com a canção nacional, agora Património Mundial. Afinal, foi nestas ruas que cresceram Maria Severa, Fernando Maurício e a própria Mariza. E estas paredes viram muitos dos episódios cantados em fados famosos. Por isso, esta não é uma simples caminhada de Verão: é a descoberta, passo a passo, das histórias e memórias fadísticas que acompanham cada ruela, cada travessa, cada beco da Mouraria, “das procissões a passar/da Severa, e voz saudosa/da guitarra a soluçar” (lá diz a canção). A acompanhar a descoberta, os melhores guias: fadistas e guitarristas. Seguimos assim ao embalo das vozes de Artur Batalha, Conceição Ribeiro, Pedro Galveias, Gisela João, Jaime Dias, Ana Sofia Varela, António Pinto Basto, Teresa Tapadas e muitos outros, eventualmente em desgarrada. Existem dois percursos à escolha nestas Visitas Cantadas na Mouraria – ambos gratuitos – todas as sextas, sábados e domingos, pelas 18h30. A orientação é dada pela Associação Renovar a Mouraria.  

2/7 a 1/8
O centro histórico de Coimbra– mais precisamente a zona das Escadas do QuebraCostas – enche-se de serenatas tradicionais. De segunda a quarta, a partir das 22h, o difícil é não dar com as canções e guitarradas dos cerca de 30 artistas que se associam à iniciativa. O acesso é gratuito.

26/7
O Verão na Casa da Música, Porto, recebe um projecto de fado concebido em Sevilha por Ana Pinhal e Francisco Almeida. Cruza sonoridades e evidencia os pontos de contacto com o flamenco, mas sem descaracterizar o género português. O concerto começa às 22h e tem entrada livre.

29/7
Alfama em Sever do Vouga? Sim, graças a um espectáculo itinerante de teatro, dança contemporânea e música ao vivo. O público é chamado a participar, gratuitamente, nesta narração da história do fado, dos anos 40 aos dias de hoje. Começa às 22h.

5/7 a 31/10
Uma tertúlia em casa de Amália serve de mote para promover um encontro entre o fado e a bossa-nova. Uma produção de Filipe La Féria, no Teatro Politeama, Lisboa, que junta Amália Rodrigues, Vinicius de Moraes, Natália Correia, David Mourão-Ferreira, José Carlos Ary dos Santos, Maluda e Alain Oulman. De quarta a sábado às 21h30. Sábado e domingo às 17h. Bilhetes de 10€ a 30€.

16/3 a 30/12
Quem gosta de saborear um bom vinho, pode fazê-lo ao som de um bom fado. A proposta é das Caves Porto Cálem, Vila Nova de Gaia. Por 16,50€, os apreciadores têm acesso a visitas guiadas com actuações de um(a) fadista, sempre acompanhado com as obrigatórias viola de fado e guitarra portuguesa. De terça a domingo, ao final da tarde, o convite é para brindar à elevação do fado a Património Imaterial da Humanidade.
 
4/8 a 25/8
O Museu do Fado (Lisboa) leva o visitante à descoberta da estreita e antiga relação entre o fado e o cinema. Pelo caminho, pode ouvir cantar nomes como José Manuel Barreto, Maria Armanda, Lina Rodrigues e Cláudia Leal, sempre acompanhados por António Parreira na guitarra portuguesa e Guilherme Carvalhais na viola.

Desde 3/7
Adega Machado (reabertura)
Nenhuma rota fica completa sem entrar numa casa de fado. Esta é uma das mais afamadas do Bairro Alto, Lisboa. Amália frequentou-a. Mariza também. A casa nasceu em 1937, esteve fechada nos últimos três anos e acaba de ressurgir com nova gerência e decoração. Está aberta até às 3h. Fecha à segunda-feira.
 
Desde 19/7
Costuma dizer-se que o fado e o mar são companheiros de sempre. A ligação é elevada a outro nível neste convívio entre a música e o oceano. Todas as terças e quintas, ao início da noite, o aquário central do Oceanário de Lisboa é cenário para momentos de fado que remetem para histórias de viagens, de partidas para o desconhecido, de marinheiros e dessa saudade tão portuguesa.