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Museu Municipal de Portimão

Por DR

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16.01.01 Por PÚBLICO

Da decadente indústria conserveira algarvia pouco mais resta do que a memória. A antiga fábrica de conservas Feu Hermanos, deu lugar ao Museu Municipal de Portimão. Integrado na Rede Portuguesa de Museus, ocupa uma área de 5000 metros quadrados para dar a conhecer um Algarve, afectivamente ainda próximo, mas que já faz parte da história.


Olhão e Vila Real de St.º António e Portimão foram cidades que deram a conhecer aos ingleses e outros povos a sardinha algarvia, em latas de conserva, muito antes de os britânicos terem descoberto a região para passar férias. O número de fábricas de conservas está reduzido à sua ínfima expressão. Em Vila Real de St.º António, por exemplo, fecharam as unidades fabris, e as novas unidades estão a abrir no lado espanhol, em Ayamonte, aproveitando a experiência dos operários portugueses.

A recuperação da fábrica Feu, situada à beira do rio Arade, por si só poderá ser considerada uma peça museográfica do património industrial. O espaço, embora dedique uma área significativa às artes e ofícios, assenta grande parte da colecção do museu no património industrial. Para isso, contribuíram as colecções, entre outros, dos herdeiros de Júdice Fialho e António Feu. A imagem de Portimão a partir de meados do século XX está exposta num conjunto de cerca de 3000 fotografias, adquiridas pelo município a Júlio Bernardo.

O espólio inclui ainda uma colecção do antigo Presidente da República e escritor Teixeira Gomes, natural de Portimão. Mas há outras figuras - com destaque para o mestre Chico, o último latoeiro a laborar na cidade - que ali têm lugar. A exposição de referência, de longa duração, chama-se "Portimão - Território e Identidade". Uma mostra que pretende dar uma visão global da evolução da comunidade, em que o mar surge em permanência como um "desafio", mas ao mesmo tempo uma marca de vida no quotidiano da cidade. A entrada para o museu é feita pelo lado do rio.

A indústria naval está representada através da exposição do galeão Portugal Primeiro, construído nos estaleiros de Vigo, na Galiza, em 1911. Após vários anos ao serviço do industrial de conservas Júdice Fialho, que em 1948 o mandou adaptar a traineira, estava condenado ao abate. Para evitar a perda, a câmara adquiriu a embarcação para a reabilitar, passando a possuir o estatuto de objecto museológico. Pode ser visitado, no lado nascente do museu, junto ao transportador e guindaste.

Dos vestígios do passado, o espólio arqueológico do museu é constituído por materiais das estações arqueológicas de Alcalar, Monte Canelas, Abicada e Monte Mar. No piso inferior, localizado na antiga cisterna da fábrica, é apresentado ao visitante um circuito subterrâneo, com imagens em movimento, captadas no rio Arade e no mar, dando a conhecer a fauna e flora subaquáticas locais.

Do património industrial e etnográfico, a par da indústria conserveira, encontram-se mostras da construção naval, pesca, estiva, litografia, fundição, latoaria, fumeiros, transportes e tipografia. O museu, que viu enriquecido o seu espólio com colecções particulares, fez saber que está "aberto a receber mais doações e acervos", embora ressalve que não será possível, "naturalmente, expor tudo em simultâneo".

O edifício dispõe de equipamentos e sistemas técnicos que permitem a integração de pessoas portadoras de deficiência. O auditório, com funções polivalentes, tem capacidade para 180 lugares.



Última actualização a 15-05-2015
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