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Convento da Arrábida

Por Mafalda Melo

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07.09.11

O Convento da Arrábida, cravado numa zona de rara beleza, o Parque Natural da Arrábida, condizente com a atmosfera de recolhimento e de reflexão tão do agrado dos franciscanos, é uma obra do século XVI.


Este conjunto monástico, deixado ao abandono a partir de 1834, aquando da extinção das ordens religiosas, integra desde 1990 o património da Fundação do Oriente e é sede de intensa actividade cultural.

Foi fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria, franciscano castelhano a quem D. João de Lencastre (1501-1571), primeiro duque de Aveiro, cedeu as terras. D. Jorge de Lencastre, filho do primeiro duque de Aveiro, continuou as obras. O seu primo D. Álvaro, D. Ana Manique de Lara, viúva do duque de Torres Novas e nora de D. Álvaro, e o filho de D. Álvaro, D. António de Lencastre, também ficaram associados a beneficiações importantes introduzidas no convento.

O complexo, que ocupa uma área de 25 hectares, compreende vários pólos: o Convento Velho (localizado na parte mais elevada da serra, consta de quatro capelas, de guaritas de veneração dos mistérios da Paixão de Cristo e de algumas celas escavadas nas rochas), o Convento Novo (está situado a meia encosta e é do edificio principal, dispondo de 27 celas, igreja, seis capelas, livraria, refeitório, cozinha, torre de relógio, casa de lavagem e vários fontanários), o jardim, o Santuário do Bom Jesus e, ainda, os aposentos do duque de Aveiro e as casas onde eram alojados os peregrinos.

No local onde foi erguido o Convento Velho existia a Ermida da Memória, ponto de grandes romarias, perto do qual viveram, durante dois anos, em celas escavadas nas rochas, os primeiros quatro religiosos arrábidos: Frei Martinho de Santa Maria, Frei Diogo de Lisboa, Frei Francisco Pedraita e São Pedro de Alcantara.

De estilo arquitectónico austero, o convento é quase desprovido de ornatos. No interior sobressaem, apesar de tudo, as esculturas de santos e Cristos, de terracota e de madeira, colocadas em nichos, os azulejos que ornam as capelas e os embrechados compostos de pedrinhas misturadas com conchas e cacos de faianga e usados na decoragao de fontes, Paredes, muros e capelas. Destacam-se, ainda, pegas escultóricas de cerâmica e de madeira, cantarias e lajedos, tectos pintados e uma talha dourada.

In "Portugal Eterno",2002



Última actualização a 18-07-2013
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