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Palácio Nacional de Belém

Por DR

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03.03.11

O Palácio Nacional de Belém, edificado no século XVIII, tem sido desde a implantação da República a residência oficial dos chefes de Estado portugueses.


Arquitectura civil barroca e neoclássica, o palácio, sensivelmente de planta em L, tem um núcleo principal que se organiza, porém, dentro de um rectângulo, do qual se destacam em plano e em volume três corpos no alçado Sul, apresentando coberturas autónomas em telhado a quatro águas, sendo a restante construção coberta por telhado a duas águas.

A fachada principal (Sul), sobre o Jardim de Buxo, apresenta cinco corpos, flanqueados por cunhais encimados por pináculos, crescentemente reentrantes da periferia para o centro. Os dois corpos extremos são assim os mais avançados e formam com os restantes um terraço delimitado por balaustrada e servido por escadarias laterais de um só lanço recto, em cujo muro de topo se observam 12 painéis de azulejos monócromos.

Na fachada Este, dando para o Pátio das Damas, animada por duas ordens de janelas, destaca-se o portal; o alçado Oeste é servido pelo Pátio dos Bichos, onde se abrem duas portas que dão acesso à escadaria principal e três janelas de sacada e, numa cota mais elevada, abre sobre o denominado jardim da Cascata.

No interior destaca-se a chamada zona de aparato, que ocupa uma sequência linear de salas desenvolvida ao longo do alçado Sul, designadamente a Sala das Bicas - grande vestíbulo com pavimento de mármore, tecto apainelado em torno de uma composição alegórica da Flora e silhares de azulejos polícromos setecentistas, observando-se ainda as duas bicas de mármore, com carrancas de leão sobre pequenos tanques circulares, que deram nome à sala, e oito bustos de jaspe sobre plintos, figurando imperadores romanos.

Destaque ainda para a Sala Dourada - ou Salão de Baile -, com tecto apainelado figurando uma alegoria central, a Sala Império-onde se observa pintura a fresco no tecto e sanca, com medalhões ao gosto neopompeiano, e a Sala Luís XV - com tecto apainelado em cujas quadras dos topos são visíveis dois escudos (Braganças e Orléans).

A zona onde hoje se encontra o palácio foi adquirida, em 1726, por D. João V à denominada Quinta de Baixo aos condes de Aveiras (por 200 mil cruzados) e à Quinta do Meio (contígua àquela) dos condes de São Lourenço, tendo como finalidade a edificação de um palácio de veraneio com cerca ajardinada.

Em 1755, o palácio entretanto edificado é praticamente arrasado pelo terramoto, sendo então encarregado da sua construção o arquitecto João Pedro Ludovice. Entre 1834 e 1853, o palácio funcionou como residência da rainha D. Maria II.

Em 1886, o edifício sofreu obras sob a direcção do arquitecto Silva Castro, por ordem do rei D. Carlos, que elegera o edifício para sua residência após o casamento com a princesa Amélia de Orléans. Em 1902, construiu-se, na ala Norte do Pátio das Damas, um palacete (normalmente designado anexo), destinado a receber as comitivas de hóspedes estrangeiros.

Em 1904, o picadeiro foi separado do palácio e destinado a albergar o Museu dos Coches Reais. Quatro anos depois, o palácio deixou de pertencer à Casa Real, passando para a titularidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros para instalação de visitantes estrangeiros. Finalmente, em 1911, tornou-se residência oficial do presidente da República.

In Portugal Eterno,2002 (Público)



Última actualização a 02-09-2011
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