Guialazer

Ruínas do Convento do Carmo

Por Enric Vives-Rubio

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03.03.11

O monumento, edificado no século XIV, ergue-se no Monte do Carmo, com cabeceira em posição destacada, sobranceira ao Rossio e fronteira ao Castelo de S. Jorge. Começou por ser um convento carmelita. Hoje, é sede da Associação dos Arqueólogos Portugueses e também museu arqueológico.


De traço gótico, a igreja segue o modelo das construções mendicantes do século XIII, mas já de influência da Batalha. A planta é em cruz latina. de três naves e cinco tramos. tem cabeceira com capela-mor saliente e de maior altura, ladeada por quatro absidíolos poligonais escalonados, o que constitui uma variante do modelo da Batalha e evolução do modelo das cabeceira das igrejas mendicantes mais importantes.

Manifesta ainda influência batalhina nos dois andares da capela-mor e na decoração vegetalista de duas filas nos capitéis. Nítido neogótico romântico na forma híbrida dos pilares da igreja. As janelas da capela-mor são baixas e mal proporcionadas, contrastando com a elegância das frestas dos absidíolos.

Nas obras do convento trabalharam os artíficies Lourenço Gonçalves, Estêvão Vasques, Lourenço Afonso e João Lourenço e alguns operários de origem judaica, como Judas Acarron e Benjamim Zagas. Das antigas dependências conventuais subsiste o claustro, de planta rectangular, o refeitório, hoje dividido em dois pisos, a sacristia, de planta rectangular e coberta por cruzaria de ogivas, e uma torre sineira robusta.

Segundo a tradição, foram construídas na cerca do convento celas provisórias para acolher os freires vindos do Mosteiro de Moura. Afonso Dornelas supõe-nas de pequeníssimas dimensões, divididas umas das outras por paredes de adobe, formando pequeno quadrado com claustro ao centro. A cela que formava o ângulo das duas alas de celas era a de Nuno Álvares Pereira e ficou conhecida como "Casa do Século". Esta situava-se, portanto, junto à "Porta do Carro", sensivelmente correspondente hoje ao lado direito da entrada do túnel que dá acesso ao quartel da GNR.

O convento foi mandado construir em 1389 pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em terrenos adquiridos ao almirante Pessanha e à irmã do Condestável, D. Beatriz, obtendo licença papal de Urbano VI. O solo arenoso e a escarpa instável levaram ao desmoronamento dos alicerces por duas vezes, obrigando D. Nuno a dizer que se os alicerces caíssem de novo haviam de ser de bronze. Em 1392, o Condestável convidou os frades carmelitas de Moura a ingressarem no convento.

Em 1404, D. Nuno Álvares Pereira doou ao convento o seu património e, mais tarde, professou na ordem dos carmelitas e doou-lhes o convento. Em meados do século XVI, o convento tinha a renda de 2 Soo cruzados e albergava 70 frades e 1o servidores. Nos finais do século XVII, durante as guerras da Sucessão, os monges tentaram ajudar D. António, Prior do Crato, nas suas pretensões ao trono. No dia 1 de Novembro de 1755, grande parte do convento ruiu com o terramoto, tendo recebido posteriormente obras de beneficiação e restauro.

In Portugal Eterno,2002 (PÚblico)



Última actualização a 06-09-2011
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