Guialazer

Torre de Belém

Por DR

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02.09.11

A 4 de Julho de 1515, D. Manuel I mandou erguer a torre no local onde o seu antecessor, D. João I I, pretendera levantar um forte para defesa do porto sob projecto de Garcia de Resende. Quatro anos e três dias depois, a obra estava concluída segundo o risco de Francisco Arruda. Em 2015, comemoram-se os 500 anos deste monumento.


Mais do que uma obra militar, trata-se de uma verdadeira obra-prima de arquitectura, marco histórico da epopeia marítima portuguesa. Diz-nos Garcia de Resende que D. João II ordenara a construção de uma torre e um baluarte na Caparica, encomendando ao seu cronista (e também arquitecto) o projecto de um forte na margem norte do Tejo, de forma a que os fogos dos dois redutos impedissem a entrada no estuário. Morreria o Príncipe Perfeito sem ver tal obra sequer iniciada.

No início do século XVI as águas do Tejo batiam mais perto do local onde já se começara a construir o Mosteiro dos Jerónimos. Em frente, como que emergindo do rio, um conjunto rochoso foi considerado suficiente para nele se levantar a fortificação de dois corpos - torre e baluarte -, que teve várias designações antes de se perpetuar como Torre de São Vicente de Belém. Hoje está classificada como Património Mundial da UNESCO.

Em planta, a fortificação compõe-se pela torre, integrando a habitação do capitão-mor (em 1521 foi nomeado o primeiro, Gaspar de Paiva), e pelo baluarte hexagonal que a rodeia e protege.

A torre é de quatro pisos, sendo o último recuado e rodeado por caminho de ronda. Todos os andares são rasgados a cada face por vãos. No primeiro, o vão é simples, de arco pleno, e apresenta duas guaritas no cunhal do lado norte; no segundo, existem janelas com pequeno balcão e na face sul sobressai a galeria renascentista, inspirada na arquitectura italiana dominante ao tempo.

Nos vértices este e oeste da face norte encontram-se nichos com imagens de São Vicente e São Miguel; no terceiro, vão de dois lumes divididos por mainéis; no quarto, porta a norte e virada a este para o caminho de ronda. A torre é coroada por eirado defendido por merlões piramidais e quatro guaritas nos ângulos.

A riqueza decorativa da torre é essencialmente exterior, traduzindo o chamado estilo manuelino, que não propriamente a arte manuelina. O baluarte apresenta muralhas com inclinação, rasgadas por 17 canhoneiras para tiro rasante e são coroadas por merIões em forma de escudo com a Cruz de Cristo e guaritas nos ângulos.

Os dois pisos são rematados por terraço resguardado ao centro por varandim e na face virada ao mar surge a imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso, com o Menino, também conhecida por Nossa Senhora do Restelo.

Num piso inferior, abaixo da linha de água, encontram-se as caves que serviram de paióis e, mais tarde, de prisão política para altas individualidades. Ali esteve encarcerado até à morte D. Pedro da Cunha, pai do bispo do Porto D. Rodrigo da Cunha, partidário de D. António Prior do Crato. Mais tarde, em 1641, nobres personalidades da corte, como o duque de Caminha, o marquês de Vila Real e o conde de Vale dos Reis, foram ali aprisionadas por suposta implicação numa conjura contra D. João IV.

In "Portugal Eterno",2002 (PÚBLICO)



Última actualização a 02-04-2014
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