Guialazer

Mosteiro de Flor da Rosa

Por DR

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07.09.11

Situado no Crato, o complexo monumental, começado a erguer no século XIV, foi, originalmente, uma igreja fortaleza conventual. Nos nossos dias, alberga uma pousada e é palco de mútliplos eventos de ordem cultural. Trata-se de uma arquitectura religiosa, civil e militar, gótica, manuelina, mudéjar, renascentista, contemporânea.


O complexo é composto por três edificações distintas, que se interpenetraram ao longo do tempo: paço acastelado gótico, ampliado na centúria de quinhentos, que lhe conferiu o prospecto actual renascentista e mudéjar; igreja-fortaleza gótica e manuelina, de nave única de grande altura e largo transepto e cabeceira pouco profunda; e dependências conventuais renascentistas e mudéjares.

Em 1340, verificou-se a mudança da sede da Ordem do Hospital, de Leça do Bailio, ou de Belver, para o Crato. Data do ano seguinte um documento que prova a intenção de D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior da ordem, fundar uma capela no termo do Crato.

Refira-se que o Crato foi doado, em 1232, pelo rei D. Sancho II A Ordem dos Hospitalários, sendo então prior Mem Gonçalves, que deu o primeiro foral A vila, no mesmo ano. Esta ordem estabeleceu-se em Portugal no tempo de D. Afonso Henriques, em Lega, arredores do Porto, tendo sido o seu primeiro prior um irmão do rei. Porém, no tempo de D. Afonso IV, por volta de 1335, sendo mestre da ordem D. Álvaro Gonçalves Pereira, foi a sua sede transferida para o Crato, passando ele e os seus sucessores a usar o titulo de prior do Crato.

Assim se estabeleceu aqui a capital do priorado, que possuía 23 comendas e as seguintes terras e seus termos: Crato, Amieira, Belver, Cardigos, Carvoeiro, Sertã, Envendos, Oleiros, Gáfete, Tolosa, Pedrogão Pequeno e Proença-a-Nova. O rendimento anual do priorado, no século XIV, era de 45 contos de rubis, uma fortuna.

O grão-prior do Crato tinha poder espiritual e temporal, cor jurisdição episcopal, motivo pelo qual não estava subordinado a prelado algum. Do Crato partiu o prior com os cavaleiros da sua ordem, a tomar pane na Batalha do Salado, servindo a fé, a pátria e o rei.

Foi portanto D. Álvaro o primeiro prior do Crato. Os componentes da comunidade eram frades batalhantes -guerreiros e monges - e tinham votos de humildade, pobreza e castidade, o que não impediu D. Álvaro de ser progenitor de 32 filhos.

Para instalação da ordem, mandou edificar no sítio da Flor da Rosa - arrabaldes do Crato - o mosteiro, que passou a ser, desde então, a casa-mãe daquela ordem em Portugal. Foi o grão-prior pai de D. Nuno Álvares Pereira. O Crato orgulha-se desta ligação com o nosso Santo Condestável.

A partir do século XVI a Ordem do Hospital passou a denominar-se Ordem de Malta, nome que ainda hoje conserva. Refira-se ainda que, em 1527, o infante D. Luís assumiu a administração dos bens da Ordem de Malta e decidiu fundar um colégio de Teologia para 3o religiosos, que nunca chegou a funcionar.

No ano de 1789, os bens da Ordem de Malta transitaram para a Casa do Infantado, que foi extinta em 1834, sendo então o infante D. Miguel o grão-prior.

In "Portugal Eterno",2002

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