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Mosteiro de Alcobaça

Por DR

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06.09.11

A simplicidade da igreja, combinada com a sua grandeza, causa uma impressão de austeridade peculiar, o que torna o Mosteiro de Alcobaça, como conjunto, o monumento de maior importância na história da arquitectura medieval portuguesa e a obra cisterciense mais expressiva a nível europeu.


O Mosteiro de Alcobaça/Real Abadia de Santa Maria, túmulo de D. Pedro I e D. Inês de Castro, está implantado num extenso vale, a par do casario da vila, e destaca-se pela monumentalidade e equilíbrio das suas edificações, fruto de um trabalho de seis séculos (XII/XVIII) dos mestres Domingo Domingues, Diogo. loco de Castilho e João Turriano

A abadia cisterciense começou por ter uma prática cultural e devocional. A planta da igreja e dos edifícios regulares reproduz, embora de forma invertida, a da abadia-mãe dos monges de Cister (Claraval II). Trata-se, basicamente, de um estreito rectângulo, justaposto aos quadriláteros que envolvem os grandes claustros. A igreja é de planta longitudinal em cruz latina, com corpo de três naves e múltiplas capelas. A fachada principal encontra-se dividida em três panos e está ornada com estátuas.

Em todo o conjunto, destacam-se diversas divisórias notáveis, como a setecentista Sala dos Túmulos (a primeira experiência neogótica em Portugal), o átrio da Capela do Senhor dos Passos, uma réplica do século XVII da Sacristia Nova, de João de Castilho, para além da Capela do Relicário, da Sacristia Medieval, do Capitulo, do Parlatório, da Sala dos Monges, do Dormitório, da Cozinha, do Refeitório, do Lavabo, da Sala das Conclusões, da Sala dos Reis, do Noviciado e da Biblioteca.

As origens do mosteiro remontam a 1153, altura em que D. Afonso Henriques entregou a carta de fundação de Alcobaça aos monges de Cister, os quais se instalaram provisoriamente na abadia velha em 1178, tendo-se transferido para o novo mosteiro apenas em 1223.

No inicio do século XIV (1308/1311), o mosteiro sofreu importantes obras de ampliação, devido à implantação do Claustro de D. Dinis, de planta quadrangular e dotado de dois andares, com o inferior abobadado com cruzarias de ogivas assentes em mísulas e o superior com tecto de madeira de três planos.

O mosteiro teve diversas fases de ampliação. Depois do alargamento efectuado por D. Dinis, seguiram-se, entre 1510/1520, a Sacristia Nova e, em 1632, a conclusão da fachada norte do Dormitório. Ainda no século XVII, terminou a beneficiação do edifício do Noviciado (1636) e, entre 1656/1667, foi erguido o Claustro de D. Afonso VI, seguindo-se, em 1670, a capela-relicário da Sacristia.

O conjunto monumental continuaria a ser alargado até ao século XVIII, designadamente em 1725, quando se verificou uma considerável ampliação da zona oriental do mosteiro. Em 1755, deu-se nova beneficiação, com a edificação da Livraria, do Cartono e da ala sul da fachada principal. Sublinhe-se que os monges abandonaram o mosteiro em 1833, devido à situação política que então se verificava em Portugal, onde as ordens religiosas foram extintas no ano seguinte.

Portugal Eterno,2002 (Público)

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