Jardim Botânico da Ajuda
T. 213622503
Lisboa, Calçada da Ajuda
Todos os dias das 09h00 às 20h00 (de 1Junho a 30 Setembro)..
2 € Estudantes e maiores de 65 anos 1€, crianças até aos sete anos grátis. Fins-de-semana: adultos 1,5€, estudantes e maiores de 65 anos 0,75€, crianças até aos sete anos grátis.
Estufas, jardim dos aromas, jardim de buxo e rock garden. Ao visitante é-lhes oferecida uma brochura com a história do jardim. Restaurante Estufa Real
Sítio ofícial http://www.jardimbotanicodajuda.com
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São três hectares e meio dignos de um palácio real. Estamos a falar de um jardim onde a elegante geometria da disposição botânica rima com imponentes balaustradas, soberbas fontes e magníficos grupos escultóricos. A ironia da coisa é ser também um dos raros jardins de Lisboa construído sem palácio. Ou mais precisamente onde o palácio só foi projectado como complemento do jardim.
O Jardim Botânico da Ajuda é um daqueles sonhos de grandeza portuguesa que não se chegou verdadeiramente a cumprir. Mandado construir pelo Marquês de Pombal, em 1768, o mais antigo jardim de Lisboa nasceu de uma proposta do botânico Domingos Vandelli, decidido a extrapolar para a capital portuguesa o jardim botânico da sua cidade de Pádua, então um dos mais belos da Europa. Em finais do século XVIII tinha cerca de cinco mil plantas e a ideia era estendê-lo até ao futuro Palácio da Ajuda, não estando prevista a existência da Calçada da Ajuda.
A invasão francesa de 1808 não apenas comprometeu esse plano expansionista, mas devassou a maior parte das suas colecções. O jardim viria a ser reactivado com o regresso da corte portuguesa do Brasil, tornando-se num local de lazer da família real, até que a proclamação da República o abriu finalmente ao público. Passou por várias crises no século XX - em particular quando após o 25 de Abril foram roubadas estátuas, buxos e até canteiros onde crescia a colecção de botânica. Mas foi também objecto de recuperações, a última das quais já em meados dos anos 90. Os 152 mil contos investidos serviram para repor e ampliar a colecção botânica, reconstruir o tabuleiro superior, os sistemas de rega e drenagem, criar um espaço de aromas dedicado a invisuais, enquanto uma das estufas foi transformada em restaurante de luxo. Hoje é um dos jardins mais encantadores e também mais desconhecidos de Lisboa. Num dia de semana de Primavera o mais provável é não encontrar ninguém para além de um ou outro casal de turistas estrangeiros. É assim fácil dar livres rédeas à fantasia e imaginar-nos transportados para o cenário de um filme sobre a aristocracia portuguesa oitocentista. As vistas, para começar, são extraordinárias com o Tejo e a outra margem enquadradas pelo casario pitoresco desta zona histórica. Depois há o tabuleiro inferior com a sua aparatosa geometria das sebes de buchos, delineada em torno de bucólicos lagos e esculturas, entre as quais é obrigatório destacar a formosa Fonte das Quarenta Bicas decorada com serpentes e criaturas fantásticas. Para além da balaustrada coberta de fungos, o tabuleiro superior traz a revelação de mais de milhar de canteiros de cercadura em pedra e de um conjunto de exóticos espécimes botânicos convenientemente identificados. Claro que neste canto de paraíso nem tudo é perfeito. A entrada custa 1.50 euros, mas não faculta qualquer espécie de informação escrita. À venda há apenas um "Botanic Gardens Of Ajuda" que custa a "módica" quantia de 7.500 escudos. Pode-se consultar, mas é mais indicado para especialistas e ninguém é obrigada a saber inglês. Depois faltam bancos no tabuleiro inferior e se o restaurante é digno de constar dos melhores guias, também é verdade que não é para todas as bolsas.Última actualização a 16-10-2013