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T. 218923470
Lisboa, Teatro Camões - Passeio do Neptuno - Parque das Nações
23-05 a 26-05. Quinta a sábado às 21h00 ; Domingo às 16h00 .
€5 a €25
29-05. Quarta às 21h00 .
€5 a €25
M/3. "A Sagração da Primavera" - estreia Absoluta: Lisboa, Centro Cultural de Belém, Companhia Olga Roriz, 29 Maio de 2010.
Sítio ofícial http://www.cnb.pt
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Um programa de dança contemporânea, pela Companhia Nacional de Bailado (CNB), que apresenta uma curta-metragem de João Botelho, com coreografia de Paulo Ribeiro e música de Ravel: "La Valse". Além disso, recupera “A Sagração da Primavera”, adaptada por Olga Roriz.
Foi intenção de Maurice Ravel, nos primeiros anos de 1900, compor para orquestra um tributo à valsa e a Johann Strauss II. Pretendia que fosse uma obra romântica, que intitulou "La Valse, Un Poème Chorégraphique", e sobre a qual escreveu ser "uma espécie de apoteose da valsa vienense mesclando-se na minha cabeça com a ideia de turbilhão fantástico do destino".
Só em 1919, após o final da Primeira Guerra, Ravel retomou esta composição, em resposta a uma encomenda de Sergei Diaghilev, para os Ballets Russes. Ravel refez integralmente a concepção inicial e, influenciado pela experiência da guerra, o romantismo perde dominância e o ritmo da valsa deriva frequentemente para o caos, numa metáfora à Europa de então.
Agora, numa altura em que os laços da Europa são repetidamente equacionados, a CNB desafiou o coreógrafo Paulo Ribeiro e o realizador João Botelho a explorarem a composição de Ravel e a conceberem um olhar cinematográfico sobre o movimento dos corpos.
"Adoro valsas, mesmo em silêncio, adoro o gingar e a fúria ternária. É uma obsessão é um vento que acaricia ou devasta. É uma musicalidade de todas as possibilidades", diz Paulo Ribeiro. Para o cineasta João Botelho, "La Valse" não é mais do que é uma dança! "Então dancemos, dancemos, no ar, no fogo, na água e na terra, no meio da destruição e do caos que a Europa de hoje é quase tão angustiante como a Europa de há cem anos."
Na segunda parte do programa, a coreógrafa Olga Roriz propõe-se a criar a sua própria "A Sagração da Primavera". Após estreia absoluta, em Maio de 2010 (CCB), para a sua própria companhia (COR), Olga Roriz volta a estabelecer a ponte entre a música de Stravinsky e a dança, como um "ritual" quase obrigatório no percurso de um coreógrafo.
"A Sagração da Primavera" é uma das mais importantes obras sinfónicas do século XX. Encerra uma trilogia de bailados (depois de "Pássaro de Fogo", em 1910, e "Petrushka", em 1911) que Igor Stravinsky compôs para a companhia dos Ballets Russes, de Sergei Diaghilev.
Para a coreógrafa a fidelidade ao guião de Stravinsky foi, desde o início, o único caminho com o qual se propôs confrontar. No entanto, vários aspectos se distanciaram do conceito original. Visões personalizadas que imprimem à história uma lógica mais possível à sua compreensão, e mais aprazível à sua manipulação.
Para Olga Roriz, o contacto decisivo com "A Sagração da Primavera" foi, já enquanto coreógrafa, ao assistir à criação de Pina Bausch. A memória histórica e cultural à volta da composição de Stravinsky é a base de inspiração deste programa. Mas a obra a apresentar nasce de um universo muito pessoal, como Olga Roriz afirma: "A Sagração há-de estar dentro de mim."