-
Castelo Branco
-
Sines
M/12.
Sítio ofícial http://www.eira.pt
Eu vou (0 Pessoas vão a este evento)
Francisco Camacho e Sílvia Real foram já intérpretes um do outro. Ela convidou-o para dançar ao seu lado em "Bute-bute", apresentado pela última vez na homenagem a Mónica Lapa (2002), e foi intérprete dele em "LIVE|EVIL - EVIL|LIVE" (2005). Nove anos depois repete-se: "Lost Ride" é um solo dedicado à memória de Mónica Lapa.
Da cumplicidade de longa data de Francisco Camacho e Sílvia Real, de diversas colaborações até hoje - são da mesma geração, a da Nova Dança Portuguesa -. e da vontade de Sílvia voltar a ser dirigida por alguém (o que não acontecia desde 2005), surgiu o convite a Francisco Camacho para a criação deste solo.
Em "Lost Ride" as figuras criadas por Sílvia Real confrontam-se com o espaço físico e psíquico que as constrange. Estão num espaço artificial e construído, sendo reforçada a ideia de fabricação num universo que é ao mesmo tempo depurado e versátil, dominado por um carro semidestruído e uma estrutura insuflada.
Neste ambiente, a "ordem natural das coisas" já não tem lugar, assistindo-se a uma tensão constante entre opostos, numa "ilusão das dicotomias", sobre as quais são oferecidas possibilidades de canibalismo. Os mecanismos antagónicos devoram-se, tornando-se híbridos, num "desvelar de estruturas contraditórias e uma aproximação às vidas psíquicas".
E é nos gestos de Sílvia Real, executados com rigor ao som da música original de Sérgio Pelágio, que começa a construção de um certo sentimento de angústia perante a inevitabilidade que se experimenta ao ver "Lost Ride". Talvez tudo isto tenha um pouco a ver com o facto desta peça, também marcada pelos figurinos de Carlota Lagido, ser dedicada à bailarina Mónica Lapa, que morreu em 2001, e durante anos partilhou com eles tantas coisas.