Guialazer

Lux Frágil

Por João Matos/arquivo

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08.03.08 Por Luís J. Santos

Tem o Tejo aos pés, os amantes da noite também e os turistas chegam com a palavrinha Lux nas suas notas. Desde 1998 que a discoteca mantém o estatuto de farol da noite lisboeta. Além de oferecer uma das mais belas varandas musicais para o rio.


É uma instituição, um ícone, ___ __ (acrescente aqui o seu exagero adjectival) de Lisboa. E uma feira de vaidades, naturalmente. Com o prestígio dos grandes espaços nocturnos internacionais, o Lux exulta modernidade em três pisos de engenho e bom gosto, sublinhados pelo acerto de ter nascido à beira Tejo. A sua fama começa à entrada, tão selectiva quanto a sua dimensão lhe permite, passa pela lista de ricos, bonitos e famosos que vai acolhendo e pela programação, culminado em festas míticas para as quais muitos se pelam por um convite.

E assim fez-se o Lux. E desde 1998 que assim é, graças ao trabalho do seu fundador, Manuel Reis, que depois de renovar a noite do Bairro Alto nos anos 80 com o Frágil se mudou para o rio, erigindo esta discoteca a partir de um grande e antigo armazém. A ajudar ao mito, vem sempre à baila o nome do actor/realizador John Malkovitch como um dos sócios.

São três pisos abertos a todas as dimensões da noite e a todas as tribos, desde que bem-comportadas. O espaço é eminentemente liberal, com a civilidade como lei, uma decoração de alto design e uma contínua reinvenção. As tribos entrecruzam-se, terão os seus territórios, decerto, mas sem guetos por aí além. Betos, yuppies séc. XXI, comunidade gay, a intelligentsia, etc, etc, venha o rótulo e escolha.

O piso térreo é toda uma pista, graças a obras recentes que retiraram barreiras. Aqui, há uma sensação de templo minimal, em semipenumbra, onde os fiéis da dança se movem entre um bar linear e um palco onde se instala o DJ para a homília musical. Pelo piso, as inatas comunidades vão criando as suas zonas. A programação musical oscila entre as tradições da casa e a recepção a novas tendências musicais, somando celebridades, DJ sets e concertos.

Desta térrea nebulosa, sobem-se as escadas para o piso dois como quem sobe de estatuto - o piso, é, aliás, normalmente o primeiro a ser visitado. Vindos logo da entrada, tem-se direito a ascender por uma escadaria hollywoodesca onde todos parecemos chegar prontos para o nosso close-up. Na decoração, poderá estar uma gigantesca bola a oscilar do tecto e a cintilar glamour, espelhando as luzes da festa e, decerto, da constelação de estrelas (por vezes) presentes. Esta esfera celeste do Lux é um brilharete imagético, impulsora e reflectora de um espaço de design contemporâneo com paredes-ecrã e mobiliário de design. Por aqui, há três bares bem artilhados, com serviço profissional. A decoração é de um discreto luxo e os confortáveis divãs, ideais para divas, espalhados pelo piso, são um achado. A estrela, porém, é uma sublime varanda que se abre ao rio e parece oferecer-nos todo o Tejo do mundo. Por estes lados, a música varia entre tons mais calmos aos mais dançáveis.

O paraíso é mais acima. O terceiro piso é um imenso terraço, um portal ideal para fugas de tanto glamour estelar e para crepúsculos dos deuses. Se a noite está quente, estará a funcionar e bem, com um bar mais veraneio, música mais lálálá e gente mais descontraída. Para os lados e para trás, ver-se-á postais de lisboas nocturnas, para cima o céu é todo nosso e para a frente, a escuridão iluminada do Tejo; um horizonte até à outra margem que, definitivamente, sublinha e amplia a potencialidade estelar deste ex-líbris que ilumina a noite de Lisboa.


Referências

Vinhos
Há alguns anos era impossível beber um vinho nos bares/discotecas. O Lux tem uma carta de vinhos a copo para todos os paladares e carteiras.

VJ
Paredes-ecrã e trabalhos excelentes de video-jockeys são prata da casa. O Lux inovou e tornou a noite lisboeta videográfica

É a cultura, estúpido!
O Lux é culto: a programação musical grita-o aos sete ventos e a discoteca acolhe os mais diversos eventos: pela agenda passa moda, teatro, performances e artes várias.

Entrada
Nem sempre fácil, nem sempre difícil, e o look é importante - ter um estilo ajuda. Os fiéis da casa são acarinhados, os outros esperam em bicha, que pode ser longa se a procura for intensa.

Modinhas
Programação de concertos e outros eventos. Noites disco, techno, house, electro, drum'n'bass, ambiente, hip hop, trip-hop, superpop de todas as eras, rock e pós-rock, etc, etc.



Última actualização a 03-04-2014
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