Guialazer

Kremlin

Por Nuno Ferreira Santos

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24.06.16 Por Inês Garcia

Renovado e com a promessa de um "glamour do antigamente mas adaptado aos nossos tempos”. Kremlin reabre portas em Lisboa.


“Há um Kremlin antes e um Kremlin agora.” Fernando Rodrigues, um dos novos investidores da discoteca lisboeta, descreve assim o espaço que reabriu ao público na primeira sexta-feira de Junho. O nome icónico mantém-se, claro, assim como a música electrónica, mas há um corte com o projecto anterior. “É um Kremlin com o glamour do antigamente mas adaptado aos nossos tempos”, esclarece. 

O espaço é o mesmo – entramos pela porta negra na base das Escadinhas da Praia, em Santos, e, passando um pequeno hall com bengaleiro, chegamos à sala principal. A traça original do antigo convento mantém-se, com arcos de pedra em ogiva e chão de pedra tosca. Há várias bolas de espelhos, luzes LED coloridas nas arcadas, colunas de som altas na pista de dança principal, duas grandes zonas de bar com balcões requintados e prateleiras já cheias de bebidas.

Durante os cinco anos em que esteve fechado, o Kremlin foi esporadicamente palco de eventos privados de produtoras e não teve grande manutenção. O grupo K (responsável por alguns restaurantes e pelas discotecas K Urban Beach, Skones Club e Konvento, em Lisboa; Kasa da Praia no Porto ou Urban Beach Club em Vilamoura) volta a ser senhorio do Kremlin e a concessão é de quatro novos investidores, entre eles Fernando Rodrigues e Filipe Martins, que nos recebem dias depois da reabertura oficial. 

Em 1988, a discoteca destacou-se dos restantes clubes nocturnos lisboetas pela oferta musical inovadora para a época. Nos anos 1990, foi considerada a 3.º melhor discoteca do mundo por revistas especializadas em animação nocturna – a britânica Musik Magazine destacava o Kremlin em 1995 no artigo Um paraíso chamado Portugal – e consagrou os DJ’s portugueses Vibe, Roque ou Jiggy. 

Agora, o espírito – e a música – mantêm-se. “Nós já trabalhamos na noite de Lisboa há alguns anos e podemos dizer que a noite morreu um bocadinho a nível de glamour. Tornou-se tudo igual. À uma hora da manhã entramos num sítio e ouvimos uma música e uma hora depois, noutro sítio, ouvimos exactamente a mesma coisa”, diz Fernando Rodrigues. O Kremlin não entra neste “projecto de massas”, diferencia. 

Além de um novo sistema de luzes e som, há “novas ideias” e “novas filosofias de funcionamento”, explica Filipe Martins, porta-voz do grupo responsável pela reabertura e o DJ residente do espaço (Dub Tiger), entre elas a colaboração com produtoras de Lisboa de renome, DJ’s internacionais – na inauguração, o Kremlin contou com a presença de cinco DJ’s das principais produtoras de música electrónica de Lisboa: Kaeser (Bloop Recordings), Gear (Frenzy), Groovefella (Plastik Galaxy Rebels) e Johan.

“Mas, acima de tudo, queremos dar destaque ao nome da casa e meter sempre a casa em primeiro lugar”, continua, realçando a identidade alternativa do Kremlin. “Poderá haver alguma festa ou evento diferente durante a semana, sem ser à sexta e ao sábado [as duas noites em que o clube estará aberto], mas será sempre alternativo. Seja rock, seja R&B, nunca será numa vertente comercial.”

Outra das novidades é a zona VIP, delimitada com cordas, com sofás pretos, almofadas e puffs. “Este novo espaço foi criado já a pensar nesse conceito de glamour, o tal requinte”, diz o responsável. 

O “conceito de porta”, em que é o porteiro “que manda na casa”, será também retomado, acrescenta Fernando Rodrigues, responsável pela segurança da discoteca. O objectivo é “seleccionar o ambiente do espaço” – o convite está feito a “quem se saiba divertir” e a indumentária não deve ser desportiva – e evitar confusões ou desacatos. O distanciamento em relação aos episódios de violência que levaram ao encerramento da discoteca há cinco anos é, aliás, uma das “principais preocupações” dos novos responsáveis.

Com uma lotação legal para 600 pessoas, o Kremlin quer voltar a impor-se como “uma casa de qualidade” e uma referência na noite lisboeta. “Vamos ter sempre alguma coisa a acontecer”, promete Filipe Martins.


Preços: O valor da entrada para homens é 10€ com uma bebida, para mulheres é 7€ (preço pode oscilar mediante o evento). Imperial a 3€, vodkas, gins e whiskeys a partir de 6€.



Última actualização a 24-06-2016
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