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T. 217823000
Lisboa, Fundação e Museu Calouste Gulbenkian - Avenida de Berna, 45A
Apresentação de "Margot, memórias de uma rainha infeliz".
Sítio ofícial http://www.goranbregovic.co.yu
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Corpo ecléctico. Alma cigana. Um caldo imenso de sabores extraídos a paragens da Europa de Leste. "Folk-punk” num nome que se deixa adivinhar: Goran Bregovic. O "génio dos Balcãs" regressa com uma proposta diferente: "Margot, memórias de uma rainha infeliz".
Este concerto-espectáculo tem como tema central o absurdo da guerra a partir de um ponto de vista feminino. Um não, dois: Bregovic estabelece um paralelo entre os diferendos religiosos da época em que viveu Maria de Médici e os que abalariam a vida de uma jovem jugoslava quatro séculos mais tarde.
O músico de Sarajevo estreou "Margot, memórias de uma rainha infeliz" na Basília de Saint Denis, onde está sepultada Maria de Médici. À actualidade do tema contrapôs a forma escolhida para o colocar em cena, resgatada às tendências do século XVI: uma récita com acompanhamento musical.
As partituras remetem intencionalmente para "Margot", filme de Chéreau cuja banda sonora foi assinada pelo próprio Bregovic. São interpretadas por uma orquestra explosiva, em que há metais ciganos, cantoras búlgaras, vozes masculinas e um quarteto de cordas. Quanto à récita, consiste num monólogo que, em Lisboa, está entregue à actriz Ana Moreira. Tudo para concluir que "Não há salvação senão na fuga".
A inspiração de Goran Bregovic vem sobretudo do folclore balcânico, mas o resultado vai bem mais longe e, como acontece neste espectáculo, mistura tudo e mais algumas coisas. Em trabalhos como "Tales & Songs from Weddings and Funerals", pudemos vê-lo acrescentar reggae, tango e outros géneros à raiz da sua música. Em "Goran Bregovic's Karmen", por outro lado, pudemos apreciar o seu talento para a composição de... ópera.
Mas as suas opções tomam mais frequentemente a força de uma actualização próxima do rock. Bregovic faz jus ao seu passado: fez parte dos Bijelo Dugme, a mais famosa banda rock jugoslava. Depois, conheceu Kusturica... Foi para ele que compôs algumas das mais cultuais bandas sonoras de sempre –"Arizona Dream", "O Tempo dos Ciganos", "Underground" –, transformando-se rapidamente numa autoridade da música para filmes. .