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Aqui há gato

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27.04.16 Por Luís J. Santos

Bruna, Bruno, Baguete e outros amigos felinos não estão atrás do balcão mas são os anfitriões especiais deste "cat café" que acaba de abrir portas em Lisboa.


Ainda nem entrámos e já as estrelas do lugar dão um ar da sua graça. Na parte do café que lhes cabe, espreguiçam-se ao sol na sua torre enquanto espreitam a rua pela grande montra, brincam, vão e voltam, somem-se lá ao fundo no seu corredor. Por aqui, há cinco gatinhos à nossa espera para as devidas festas. Afinal, são eles "os verdadeiros anfitriões" do Aqui há Gato, como nos dirá Catarina Mendes, 42 anos, a mentora deste que é o primeiro “cat café” de Portugal e onde, além da boa companhia felina, também se poderá petiscar e comer, saborear bons pratos vegetarianos e vegan (mas não só) ou beber um sumo detox ou um vinho. A visita aos gatinhos faz parte do serviço zen da casa e segue o sistema utilizado por todo o mundo: quem gastar pelo menos cinco euros pode brincar com eles (uma hora), quem quiser apenas apaparicar os bichanos ou apoiar o projecto, paga 3 euros (com direito a uma bebida).

Já ao contrário do que sucede com outros cafés de gatos pelo mundo, o português tem uma particularidade: divide-se em dois espaços, tão unidos quanto separados – no caso por vidro. A razão: a legislação portuguesa, que impede a presença de animais em espaços públicos de alimentação. Embora noutros países os café de gatos (que vivem um verdadeiro “boom” do Japão à Áustria passando por Espanha, França ou EUA) unam os clientes com os felinos num só local, aqui, apesar da casa ser uma, há este apartheid, uma divisão clara, criada para obedecer à lei lusa e deixar a restauração de parte. Mas os bichinhos estão logo ali, na área que é também uma biblioteca, bem apetrechada, claro, de livros, mas também com sofás ou armário (para guardar o casaco, se quiser, antes de dedicar-se às festas). Entre as duas áreas há zona de higienização, nomeadamente a área do "staff" (gatinhos incluídos).

Enquanto conversamos com a Catarina, passa por nós a Bruna – ela e Bruno dão o "focinho" pelo espaço, literalmente, no logo. Habituada às atenções, senta-se à nossa frente e fica para a conversa, atenta à história que a dona conta, sobre como o projecto começou em 2012, após ver a abertura do cat cafe Neko de Viena, na Áustria.

A trabalhar no sector público e a fazer um MBA, decidiu pegar na ideia e desenvolvê-la para um projecto escolar. Acabaria por, desafiada por uma amiga, chegar à tv nacional: levou o seu plano para o programa Shark Tank versão portuguesa na SIC e convenceu o "tubarão" Tim Vieira a investir na sociedade.

"Entretanto o tubarão saiu do projecto", conta-nos. Isto porque no contrato estabelece-se que o investidor poderá retirar-se, pelas razões que entender. Uma separação por mútuo acordo que cumpriu as obrigações do programa." Tive que repensar todo o projecto", admite.  

Mas, com ou sem tubarões, não desistiu e aqui há (mesmo) gato. Melhor, gatos: agora são cinco, o Bruno - " que dormia ali na arca, só se via a cauda" - e a Bruna - muito social e "que veio toda contente para aqui"- e os "adoptados", que chegam através de uma parceria com a associação SOS Rafeiros: a Nessie, a Tâmara, que é uma gatinha preta anã, e o amarelo Baguete – um gatinho “praticamente cego”. Espalham-se pelos sofás, pelas suas torres e brinquedos, enquanto esperam outras companhias felinas.

A parceria com a SOS servirá também para tornar o café uma plataforma central para sensibilizar e permitir a adopção de animais de estimação - já os que vivem no café, não estarão disponíveis para adoptar. O espaço tem ainda uma parceria com O Gato Fica, que presta serviços para animais de estimação e poderá vir a ter outros apoios e serviços, particularmente com marcas de alimentação felina.

Gatos à parte, o café quer também viver pela oferta na restauração e pelos eventos. Na cozinha, quem manda é Tiago Caetano, 34 anos: promete um “menu orgânico”, muito baseado “na cozinha vegetariana, até vegan” (embora com fugas para peixe e carne também…). Como passou uma temporada em Macau, é de esperar também uns toques de influência asiática aqui e ali. 

Entretanto: menus ligeiros com muitas e imaginativas sopas, saladas, sandes e tostas, hambúrgueres vegetais, além de iogurtes artesanais, panquecas, granolas e bolos do dia. Entre um copo de vinho, um chá ou uma cerveja artesanal, o espaço irá também contar com degustações e outros eventos estão em planeamento (de workshops a palestras, passando por concertos de piano ou jazz). 

Tudo respeitando os “dez mandamentos” que defendem a boa vida dos inquilinos felinos: sim, há uma lista de regras na área da biblioteca, incluindo nada de acordar gato que estiver a dormir ou nada de gritos e barulhos e muito menos incomodar bichano que esteja a comer. “Somos giros e fofos e podem fotografar mas atenção, quando o fizerem o flash devem desligar”, é uma das regras a respeitar.

A quem possa vir com críticas sobre a exploração “comercial” dos bichanos, Catarina tem resposta pronta: “Estão aqui bem melhor do que estariam noutro sítio, numa associação ou na rua, estão a ser bem tratados, bem cuidados, bem alimentados, com carinho. É olhar para eles”.  

Informações
Preços: refeições entre 5 a 8 euros. Quem consumir 5 euros no café pode passar uma hora na zona da biblioteca com os gatos; outra opção é pagar 3 euros para visitar os bichanos e ter direito a uma bebida.
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