Guialazer

Por Rita Pimenta

Não é cinema mas parece. Por isso, se escreve na capa "imagens que se animam como que por magia". É bem verdade.


Antes de contarmos a história, expliquemos então como entrar no livro e desfrutar do efeito óptico que faz com que acreditemos que as imagens entraram mesmo em movimento.

Com a ajuda do acetato às riscas (que vem solto no interior do livro), vamos ver luzes a piscar, olhos a revirar, engenhos a rodar (como o incessante relógio no seu tiquetaque) e ainda setas a vibrar. Para tal, há que arrastar devagar o acetato sobre as imagens "riscadas".

Na contracapa, explica-se assim: "Para criar a ilusão de movimento, coloca a grelha de acetato por cima de uma imagem estriada, depois desloca-a lentamente de uma ponta à outra da página." É divertido e hipnotizante.

Esta técnica surgiu no princípio do século XX, chama-se "ombrocinéma" e terá sido iniciada nos livros pelo artista visual Rufus Butler Seder.

Será através deste jogo óptico que iremos conhecer várias salas de um museu de arte moderna e contemporânea, onde se descodificam correntes como impressionismo, arte abstracta, escultura. Não falta por ali Pollock nem Miró, entre outros artistas inconfundíveis.

O vigilante do museu nem sempre consegue vigiar lá muito bem. Embora diga que tem os visitantes debaixo de olho, às vezes fica desnorteado.

Durante a visita, o nosso pequeno guia também se anima… "Há quadros mesmo impressionantes! E se os olharmos de perto, descobrimos que estão cobertos de pequenas pinceladas de cor", diz numa das salas. Noutra, descreve: "Aqui, já não pinceladas, são autênticas manchas! As cores jorram, é fantástico! Cuidado com os esguichos! Afastem-se!" Até que chega a outro registo: "Já parecem outra vez pinceladas! Mas pinceladas que poderiam compor uma música bizarra…"

Quem se deixar deslumbrar por esta brincadeira visual e narrativa deve ir em busca de outros títulos já editados em Portugal pela dupla maravilhosa Michaël Leblond e Frédérique Bertrand. São eles "Nova Iorque em Pijamarama", "Luna Parque em Pijamarama", "Paris em Pijamarama" e ainda o caderno de actividades "Os Meus Robôs em Pijmarama".

Livros interactivos, mas em papel. Para qualquer idade e bons para ler/ver em pijaminha. Como o feliz protagonista.

O Museu em Pijamarama 
Texto | Michaël Leblond 
Tradução | Ana M. Noronha 
Ilustração | Frédérique Bertrand 
Edição | Kalandraka 
26 págs., 15€ 

________________ 

Mais Letras Pequenas... Francisco de Holanda com Asas para o Mundo 

Veja também... Letra Pequena, um blogue (quase sempre) sobre livros para crianças e jovens.